
Depois de 6 anos à frente da banda Metaphorica – banda independente de Curitiba, que entre outros projetos foi classificada em 2009 e 2010 entre as 25 melhores bandas de Curitiba pelo Festival Kaiser Sound – Dabliu Junior se prepara para o lançamento do seu primeiro disco solo “Sobre os Ombros de Gigantes”.
Confira o Papo que tivemos com ele.
Espaço Independente: Sua história com a musica começou muito cedo, com 11 anos vc já participava de coral. Como a musica entrou na sua vida?
Dabliu Junior: Na minha família não tem nenhum musico. Eu não consigo lembrar como ela entrou na minha vida. Desde pequenininho eu já gostava e no lugar de carrinho eu ganhava pianinhos, tecladinhos,… Queria comprar discos, rádio, essas coisas. Aos 11 anos numa festa da firma do meu pai eu participei de um concurso de Karaokê e tirei primeiro lugar, o que foi um espanto geral. A partir daí começo. Me mostraram o coral e a “coisa” ficou mais formal. Com 14 anos minha voz começou a mudar e eu tive que sair do coral, com 16 anos eu entrei na aula de violão e conheci o Robb, o guitarrista da minha banda. E dois anos depois montamos a minha primeira banda, a Metaphorica.
EI: Vc sempre curtiu poesia e gosta de juntar com melodias e fazer musica?
DJ: A minha família é de base bem simples e eles não tinham o habito de comprar livros. Eu fui ganhando esse habito com o tempo. Na escola eu comecei a ter “um certo” destaque em concursos de poesias e os professores começaram a me indicar autores como Machado de Assis, Clarice Lispector e Fernando Pessoa. E com a musica foi a mesma coisa.
EI: Musica e poesia se encaixam ou são coisas distintas pra vc?
DJ: Eu considero coisas diferentes. Eu gostava de musica e gostava de ler, comecei a fazer musica com a Metaphorica, mas já lia desde antes. Considero minhas musicas com letras poéticas, mas não são poesias musicadas. A linguagem não é a mesma, tem coisas que eu uso na poesia que não cairia bem na musica. E nesse trabalho solo é mais fácil trabalhar musicas com letras poéticas do que quando era de uma banda de rock. Nesse meu álbum, “Sobre os Ombros de Gigantes”, eu tenho uma musica que eu faço uma brincadeira com o nome da minha afilhada, a Alicia, o que na banda não me permitiria esse tipo de coisa.
EI: Esse seu trabalho solo é bem diferente do estilo da sua antiga banda, a Metaphorica. Essa mudando ocorreu naturalmente em seu processo de composição ou foi uma decisão que vc tomou para desvincular a da metaphorica?
DJ: Não teve nada pensado. Na época da Metaphorica eu tinha 20% da banda, e eu tinha limitação técnica, não sabia tocar BEM violão pra compor uma musica UM POUCO MAIS ELABORADA, APESAR DE SER COMPOSITOR DE TODAS AS MÚSICAS DA BANDA. Nos últimos anos eu tenho ouvido muita musica brasileira, eu gosto muito disso. Quando eu parei pra fazer o CD eu “tava” sozinho, estava fazendo mestrado e era impossível conciliar alguma coisa nesses 6 meses de mestrado. Então eu ouvia muita musica e de “ouvidos limpos” eu acabei vindo pra musica brasileira. Foi uma coisa de dentro pra fora, meu coração pedindo para eu me acalmar.
EI: Mas o que da musica brasileira vc ouviu pra te inspirar no Cd “Sobre os Ombros De Gigantes”?
DJ: Tudo começou com o nome do disco. Eu li essa frase em algum lugar e achei que combinaria. Eu me considero muito pequeno como musico pelo fato de existir tanta gente boa na literatura e na musica. Sabia que ia fazer um disco com o nome Sobre os Ombros de Gigantes. E na época eu ouvia muito o novo disco do Chico Buarque, Elis e Tom, Clube da Esquina, Tribalistas e Marcelo Camelo. Ouvia muitos artistas que trabalham as canções, canções que falam por si só. Não é só a melodia, não é só a letra é a musica Completam, para que o conjunto passe sentimento.
EI: Toda a produção desse disco solo vc disponibilizou em
um diário de produção no seu site como foi isso, ajudou na divulgação?
DJ: A ideia foi surgindo. Quando eu fechei com o estúdio foi que começou, eu produzia e contava, com isso vi que começou aumentar os acessos no site. Então tudo que saía de novo eu escrevia lá. As pessoas tinham o interesse em saber o que estava acontecendo. Lancei o Teaser e teve bons acessos, assim foi surgindo o diário. As pessoas se interessaram e isso me ajudou a continuar, deu um incentivo maior. Esse “feedback” das pessoas foi legal. Quando eu vi “Aeroporto”(musica de trabalho) eu levei um susto muito grande, eu lancei dia 19 de dezembro e no inicio de Janeiro saiu uma postagem na Gazeta do Povo, jornal que tem muita força aqui no Paraná. As pessoas ouvindo e comentando a musica foi muito bonito ver o quanto estavam gostando.
EI: Foi um disco feito pra vc ou foi uma coisa que veio surgindo, foi pensando “ah, vão gostar dessa musica, se eu fizer assim a galera vai curti,…”?
DJ: No estúdio eu avisei que queria que fosse tudo do meu jeito. Queria ter toda a liberdade de mudar e alterar qualquer coisa que eu quisesse. Fiz tudo de coração, fui sincero no que fiz. E essa é a maior marca do “Sobre os Ombros de Gigantes” a sinceridade em que foi feito.
EI: Seu disco está sendo finalizado e vc colocou em um site de financiamento coletivo a pré venda, como surgiu essa ideia?
DJ: O financiamento coletivo é algo que vem dando muito certo e até no nosso caso. As pessoas gostam, curtem, mas é difícil ir lá e ter coragem de colocar seu CPF em um site e comprar. Foram mais os amigos que contribuíram, a ideia foi essa mesmo de colocar a “cara a tapa” pra conseguir dinheiro pra prensar o disco. Eu e o trompetista juntamos a grana, mas assim é uma forma de mostrar pra galera interessada, independente da quantidade de venda. Temos que ver como é o mercado, agora. Isso não quer dizer que não vamos disponibilizar o disco na internet.
EI: Você não acha que é meio contraditório, vender o disco agora e depois disponibilizar gratuitamente na internet?
DJ: Eu compro o disco original por ter vontade de tê-lo na mão e as pessoas que tem o costume de comprar disco tbm. Tem todo um projeto gráfico bonito por trás, vai ter umas “surpresinhas” no disco. Quem não tem costume de comprar não vai comprar mesmo. E a musica independente depende desse “passa passa” da internet. Nesse momento não estamos muito preocupados com a vendagem, queremos difundir o trabalho.
EI: Você tocou na Semana de Moda no MON, como foi?
DJ: Foi muito legal, o show foi maravilhoso. Foi a primeira vez que eu toquei assim, sentadinho com o violão, vendo a galera cantando foi muito legal. O nosso foi um dos mais comentados, que mais juntou “curiosos” pra ver. Bem bacana, a banda gostou bastante. Eu sempre digo banda pq tenho 4 companheiros que trabalham comigo, SOMOS UMA EQUIPE.